O começo de um livro é
decisivo – pelo menos para mim – que tenho a mania de pegar o livro da estante
e ler o comecinho da história esperando por aquele sentimento de ‘é esse que eu
vou ler agora’. Lógico que se formos analisar o porquê dessa sensação, o fato
de um começo que desperte curiosidade facilmente a explica. Então, sim, é
essencial um começo que logo de cara conquiste o leitor.
Eu quis compartilhar essa
ideia com vocês desde quando eu comecei a ler ‘A Tale of Two Cities’ do
Charles Dickens. Eu digo ‘desde quando comecei’ porque eu tomo doses homeopáticas
dessa leitura todos os dias. É dessa forma que eu geralmente leio clássico,
saboreando cada palavra.
Pois bem, o primeiro
parágrafo de ‘A Tale of Two Cities’ é
simplesmente sensacional. Eu sou apaixonada por história e principalmente por revolução
(seja ela qual for). E o livro começa fazendo uma das mais belas descrições
sobre o período da revolução Francesa. É extremamente poética. Dickens
conseguiu em um parágrafo descrever um momento que muita gente tenta descrever
através de inúmeras folhas e palavras e na maioria das vezes não consegue.
Agora me respondam: Tem como alguém não largar tudo o que está fazendo e ler o
livro depois de um começo como esse:
| Dickens seu lindo, dar um abraço! |
"Foi
o melhor dos tempos, / foi o pior dos tempos, / foi a idade da sabedoria, / foi
a idade da tolice, / foi a época da fé, / foi a época da incredulidade, / foi a
estação da luz, / foi a estação das trevas, / foi a primavera da esperança, /
foi o inverno do desespero / tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante
de nós...”
O parágrafo de ‘A Tale of Two Cities’ é
inquestionavelmente arrebatador. Mas existem começos de livros que conquistam
com apenas uma palavra, uma frase. Não sei se algo assim já aconteceu com você.
Mas, por exemplo, quando eu peguei ‘Divergent’
para ler eu me deparei com a seguinte frase: ‘Existe um espelho na minha casa’.
E depois de ler isso eu fiquei logo me perguntando ‘Como Assim?’, ‘Um só
espelho?’. E, claro, que bastou isso para que eu ficasse curiosa e começasse a
ler. Assim como em ‘Divergent’
diversos outros livros foram escolhidos por mim – ou me escolheram -dessa
forma. Por uma palavra, frase, parágrafo.
O ruim é quando o livro
começa incrível prometendo uma viagem literária maravilhosa, mas não consegue
manter essa promessa.
Ok, fugir do
assunto.
O fato é: O livro tem
diversos elementos. Ler é mais do que juntar palavras. Mexe com tantos aspectos,
que ao mesmo tempo acaba envolvendo e misturando a complexidade e a
simplicidade. Um bom começo é mais um
desses fatores, eu diria que não só um dos fatores, mas sim um fator indispensável.
Pois, um bom começo, é o estalo inicial para as outras ideias.
Então, uma prece por mais inicios de leitura
arrebatadores.
Então
agora quero ouvir vocês. O que acham? Algum inicio de livro memorável?